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  Institucional · Glossário

Glossário aquarístico brasileiro.

Cerca de 50 termos definidos por biólogo CRBio. Cobre parâmetros químicos, ciclo biológico do nitrogênio, regulamentação ambiental brasileira (IBAMA, CITES, ICMBio), categorias arquitetônicas do portfólio Teivah, espécies-chave, e vocabulário do mercado. Cada definição é precisa, breve e referenciável.

Categoria 01

Termos técnicos e parâmetros químicos

Vocabulário fundamental de química e biologia da água em sistemas aquáticos.

Amônia (NH₃ / NH₄⁺)
Composto nitrogenado excretado por peixes e decomposto da matéria orgânica. Em níveis acima de 0,02 mg/L, é tóxico para fauna em água doce. É o início do ciclo do nitrogênio em sistema biológico vivo.
Nitrito (NO₂⁻)
Produto intermediário do ciclo do nitrogênio — bactérias do gênero Nitrosomonas convertem amônia em nitrito. Nitrito é tóxico para peixes em níveis acima de 0,5 mg/L. Em sistema ciclado, deve ser zero.
Nitrato (NO₃⁻)
Produto final da nitrificação — bactérias do gênero Nitrobacter convertem nitrito em nitrato. Tolerado por peixes em níveis até ~40 mg/L em água doce; absorvido por plantas como fertilizante natural; removido por trocas parciais de água.
Ciclo do nitrogênio
Cadeia biológica fundamental em sistema aquático: amônia → nitrito → nitrato. Realizado por bactérias nitrificantes que colonizam o biofiltro. Sem ciclo do nitrogênio funcional, peixes morrem por intoxicação amoniacal.
Ciclagem biológica
Processo de colonização do biofiltro por bactérias nitrificantes antes do povoamento de fauna. Leva 60-90 dias em condições ideais. Etapa não-comprimível em projetos novos — pular ciclagem leva à morte massiva da fauna.
Bactérias nitrificantes
Microorganismos aeróbios que realizam o ciclo do nitrogênio. Os gêneros principais são Nitrosomonas (amônia → nitrito) e Nitrobacter (nitrito → nitrato). Vivem aderidas a superfícies do biofiltro e exigem oxigênio dissolvido alto.
Biofiltro
Componente do sistema de filtragem onde colonizam as bactérias nitrificantes. Pode ser câmara dedicada, bio-bolas, cerâmicas porosas, ou substrato granular. NÃO deve ser limpo com água da torneira (mata as bactérias).
Filtragem mecânica
Remoção física de partículas em suspensão na água — folhas, sementes, fezes, restos de alimento. Realizada por esponjas, fibras, ou telas antes do biofiltro. Limpeza periódica é parte da manutenção mensal.
pH
Medida de acidez/alcalinidade da água, escala 0-14. Em aquário de água doce, faixa típica 6,5-8,5 conforme espécie. Mudanças bruscas de pH são mais perigosas que pH ligeiramente fora da faixa ideal — estabilidade vale mais que perfeição.
Dureza (GH e KH)
Concentração de minerais dissolvidos na água. GH (dureza geral) mede cálcio e magnésio totais; KH (dureza carbonato) mede capacidade tamponante. Águas duras têm GH >12°dGH e geram incrustação calcária — exigem sistema anti-cal em fontes e cortinas d'água.
Salinidade
Concentração de sais dissolvidos na água. Em aquário marinho, faixa típica 1,023-1,026 de densidade específica (~33-35 ppt). Medida com refratômetro ou densímetro. Estabilidade da salinidade é crítica em sistemas marinhos.
Oxigênio dissolvido
Quantidade de O₂ disponível na água para fauna respirar e bactérias nitrificantes operarem. Em água doce, faixa ideal acima de 6 mg/L. Manejado por aeração e movimentação superficial. Valores baixos causam estresse hipóxico em peixes.
Trocas parciais de água (TPA)
Substituição periódica de parte do volume de água por água tratada limpa. Remove nitrato acumulado, repõe minerais, e mantém qualidade. Frequência típica: 10-25% do volume a cada 1-4 semanas, conforme densidade do sistema.
Substrato
Material no fundo do aquário/lago/jardim aquático. Em aquário plantado: substrato fértil + cobertura granular para enraizamento de plantas. Em aquário marinho: aragonita ou areia inerte. Substrato vivo abriga microfauna e contribui para estabilidade biológica.
Aclimatação
Processo de transição lenta de peixes/invertebrados/corais entre dois sistemas de água com parâmetros diferentes. Permite que a fauna se ajuste sem choque osmótico. Tipos: aclimatação por gotejamento (marinha), aclimatação por flutuação (água doce).
UV-C esterilizador
Equipamento que expõe a água passante a luz ultravioleta germicida. Mata algas livres, bactérias patogênicas, e parasitas em estágio livre. Frequentemente especificado em fontes, espelhos d'água, lagos, e aquários marinhos para evitar biofilme visível.
Aeração
Sistema de movimentação superficial e injeção de oxigênio na água. Pode ser bomba de ar com pedra porosa, surface skimmer, ou movimentação criada por bombas de circulação. Essencial em sistemas com alta densidade biológica e em aquaponia.
Skimmer (de proteína)
Equipamento exclusivo de sistemas marinhos. Gera espuma fina que captura compostos orgânicos antes que se decomponham em amônia. Reduz carga do biofiltro e mantém transparência da água. Não usado em água doce.
Refratômetro
Instrumento óptico para medição precisa de salinidade em aquário marinho. Mais preciso que densímetro de bóia. Calibrado periodicamente com água destilada (deve marcar 1,000).
Densidade específica
Razão entre densidade da água do aquário e densidade da água pura, usada em sistemas marinhos. Faixa típica para aquário de recife: 1,023-1,026. Equivalente aproximado em ppt: 33-35.

Categoria 02

Regulamentação ambiental brasileira

Legislação, órgãos e instrumentos que governam fauna, flora e atividade aquarística no Brasil.

IBAMA
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. Órgão executor federal responsável por licenciamento de criadouros, fiscalização de fauna silvestre, e gestão de espécies exóticas e nativas em comércio.
CITES
Convenção sobre o Comércio Internacional das Espécies Selvagens da Fauna e Flora Ameaçadas de Extinção. Tratado internacional que controla comércio transfronteiriço de espécies listadas em três anexos (I, II, III) conforme grau de ameaça. Brasil é signatário.
ICMBio
Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Órgão federal responsável por gestão de unidades de conservação federais, conservação de espécies ameaçadas, e elaboração da Lista Nacional Oficial de Espécies da Fauna Ameaçadas de Extinção.
Lista de espécies ameaçadas
Lista oficial elaborada pelo ICMBio (Portaria MMA 148/2022 e atualizações) categorizando espécies da fauna brasileira em níveis de ameaça (Vulnerável, Em Perigo, Criticamente em Perigo, Extinta na Natureza). Espécies listadas têm restrições legais para comércio e manutenção.
Portaria IBAMA 93/1998
Norma fundamental que regulamenta o uso e o manejo da fauna silvestre nativa e exótica em criadouros. Modificada por instruções normativas posteriores (notavelmente IN IBAMA 169/2008 e atualizações), define categorias de criadouros (comercial, conservacionista, científico, mantenedouro).
IN IBAMA 7/2015
Instrução Normativa que regulamenta o registro e funcionamento de criadouros e mantenedouros de fauna silvestre. Estabelece exigências documentais, marcação individual quando aplicável, NF-e com nome científico, e Certificado de Origem.
RN CONCEA 29/2015
Resolução Normativa do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal que estabelece diretrizes para uso de animais em ensino e pesquisa científica. Aplicável a aquaponia educacional em determinadas instituições.
Espécie nativa
Espécie originalmente presente na região geográfica em questão antes de ações humanas significativas. No contexto brasileiro: espécies da fauna e flora aquática originárias dos biomas brasileiros (Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica, etc).
Espécie exótica
Espécie introduzida em região onde não é nativa por ação humana (proposital ou acidental). Pode ser benigna em sistema isolado ou se tornar invasora. Toda espécie exótica em comércio brasileiro deve ter regularização documentada.
Espécie invasora
Espécie exótica (ou nativa fora de sua área de ocorrência natural) que se estabelece, prolifera e causa dano ambiental, econômico ou à saúde humana. Exemplos em aquarismo brasileiro: lírio amarelo (Iris pseudacorus), salvinia molesta, Trachemys scripta. Recusadas em projetos Teivah.
Captura silvestre
Retirada de fauna ou flora do ambiente natural sem autorização legal. É crime ambiental federal (Lei 9.605/1998). Aplicável mesmo em espécies não-listadas como ameaçadas. Toda fauna em projetos Teivah tem origem regularizada de criadores licenciados.
Criadouro licenciado
Estabelecimento autorizado pelo IBAMA para reprodução, manutenção e comércio de fauna silvestre. Categorias: Comerciais (fim lucrativo), Conservacionistas (preservação), Científicos (pesquisa), Mantenedouros (sem reprodução). Cada categoria tem exigências documentais específicas.
Certificado de Origem
Documento emitido por criadouro licenciado que atesta a origem regularizada de exemplar de fauna. Acompanha NF-e com nome científico. Em projetos Teivah, fauna sem Certificado de Origem não entra no estoque, independente do preço ou disponibilidade.
CRBio (Conselho Regional de Biologia)
Autarquia federal que regulamenta e fiscaliza o exercício profissional do biólogo no Brasil. Pedro Paulo, fundador da Aquários do Rio e expertContributor da Teivah, é registrado no CRBio com habilitação em biologia aquática.

Categoria 03

Categorias arquitetônicas

Modalidades de projetos aquáticos atendidas no portfólio Teivah, com fronteiras e diferenciações declaradas.

Aquapaisagismo
Categoria que reúne projetos onde a água é elemento arquitetônico ou paisagístico (não sistema biológico complexo com fauna densa). Inclui cascatas artificiais, cortinas d'água, fontes decorativas, espelhos d'água e jardins aquáticos botânicos.
Aquaponia
Sistema biológico fechado em que peixes produzem nutrientes (via bactérias nitrificantes) que alimentam plantas, e plantas filtram a água que retorna aos peixes. Categoria distinta de hidroponia (química) e de aquário plantado (estético sem produção). Atendida em 4 modalidades no portfólio Teivah.
Aquaterrário
Sistema híbrido com componente aquático e componente terrestre integrados, mantendo fauna anfíbia ou semi-aquática (anfíbios, tartarugas brasileiras nativas, invertebrados regularizados). Categoria com foco educacional ambiental forte.
Lago ornamental
Lago paisagístico premium projetado para fauna ornamental, tipicamente carpas Koi premium importadas com documentação. Sistema biológico controlado com filtragem dimensionada, vegetação periférica selecionada, manutenção contratual.
Espelho d'água
Modalidade minimalista de aquapaisagismo — lâmina horizontal de água parada que reflete arquitetura, céu ou vegetação. Exige planicidade absoluta da bacia (nivelamento a laser) e sistema anti-evaporação automático. Zero movimento, zero som.
Cortina d'água (water curtain)
Modalidade arquitetônica contemporânea — parede de água com fluxo contínuo vertical sobre superfície plana (vidro, aço corten, concreto, mármore). Especificidade técnica única: régua superior calibrada em tolerância milimétrica. Audiência B2B premium.
Cascata artificial
Modalidade de aquapaisagismo com queda d'água em desnível, com piscina coletora pequena. Sistema técnico inclui bomba dimensionada para altura, impermeabilização correta de pedras, drenagem de emergência.
Fonte decorativa
Modalidade clássica de aquapaisagismo — peça arquitetônica com elemento central de movimento de água e bacia coletora. Diferenciada de kit de fonte de catálogo por bicos calibrados, sistema anti-cal essencial em águas duras, e materiais selecionados.
Jardim aquático
Modalidade botânica de aquapaisagismo — vegetação aquática brasileira selecionada como protagonista (vitórias-régias miniaturas, helicônias d'água, papiros). Distinta de paisagismo generalista (que vende plantas terrestres em local úmido) e de aquário plantado (sistema fechado interno).
Praia artificial
Modalidade lúdico-decorativa — extensão de areia clara com lâmina d'água rasa, sem fauna marinha (incoerência biológica). Categoria com compromisso explícito de origem rastreada da areia (não captura de praias naturais).
Piscina natural (Schwimmteich)
Sistema de banho biológico com duas zonas integradas: zona de banho (sem peixes) e zona de regeneração biológica (com vegetação aquática filtradora). Não usa cloro nem químicos. Não regulada pela ANVISA como piscina química.
Aquário plantado
Aquário de água doce com vegetação aquática como elemento central, mantida com substrato fértil submerso, iluminação dimensionada e CO₂ em alguns casos. Sistema fechado interno estético, sem foco em produção.
Biótopo (aquário de biótopo)
Aquário projetado para reproduzir um habitat natural específico — espécies, vegetação, parâmetros, substrato e iluminação compatíveis com uma região geográfica real. Exemplos: biótopo amazônico, biótopo do rio Negro, biótopo Tanganica.
Aquário de recife (reef tank)
Aquário marinho com corais, peixes e invertebrados de recife. Sistema técnico mais complexo do aquarismo: skimmer de proteína, iluminação especializada, controle rigoroso de parâmetros (alcalinidade, cálcio, magnésio), manutenção semanal a quinzenal.
Sump
Câmara secundária instalada abaixo do aquário principal (tipicamente em armário) que abriga sistemas técnicos: skimmer, refúgio, biofiltro, aquecedor. Esconde equipamento e amplia volume biológico do sistema. Frequente em aquários marinhos.

Categoria 04

Espécies-chave

Espécies frequentemente referenciadas em projetos do portfólio Teivah, com link para fichas dedicadas quando disponíveis.

Carpa Koi (Cyprinus rubrofuscus)
Variedade ornamental de carpa-comum, originária do Japão e cultivada por séculos por sua coloração vívida (Kohaku, Sanke, Showa, Asagi e outras). Usada em lagos ornamentais premium. Atinge 60-90cm e vive 30-50 anos em sistema bem mantido.
Tilápia (Oreochromis niloticus)
Peixe regulamentado para produção alimentar no Brasil, originário do norte da África. Resistente, de crescimento rápido, alimenta-se onívoramente. Espécie principal em aquaponia produtiva familiar e comercial-pequena. Não atendemos aquicultura industrial em larga escala.
Pacu (Piaractus mesopotamicus)
Peixe nativo brasileiro da bacia do Paraguai e Paraná. Onívoro com tendência a herbívoro, alcança 60-70cm. Usado em aquaponia produtiva familiar e em lagos artificiais multi-uso de fauna nativa.
Vitória-régia miniatura
Variedades miniaturizadas de Victoria amazonica selecionadas para sistemas residenciais e comerciais de menor escala. Exigem profundidade adequada (60-100cm), iluminação plena, substrato fértil, e manejo botânico especializado. Destaque em jardins aquáticos premium.
Aguapé (Eichhornia crassipes)
Planta aquática nativa brasileira mas com capacidade de proliferação descontrolada. Em sistemas sem manejo ativo torna-se invasora — cobre superfície e impede luz para outras plantas. Em projetos Teivah, aceito apenas em sistemas com manejo rigoroso e isolamento garantido contra escape.
Anubias
Gênero de plantas aquáticas africanas (família Araceae) muito utilizado em aquários plantados e em alguns jardins aquáticos. Toleram baixa luminosidade, crescimento lento, e podem ser fixadas em rochas e troncos. Espécies comuns: A. barteri, A. nana.

Categoria 05

Vocabulário do mercado

Termos práticos do mercado brasileiro de aquarismo e do modelo operacional Teivah.

Aquarista
Pessoa que mantém aquário ou sistema aquático como hobby ou profissão. No Brasil, aquaristas amadores formam comunidade ativa em fóruns, redes sociais e clubes. Aquaristas profissionais incluem biólogos, técnicos, criadores licenciados e operadores de loja.
Loja de aquário
Estabelecimento de varejo que comercializa fauna aquática, equipamentos, alimentos e insumos para hobby. No Brasil, lojas variam de pequenas operações de bairro a empresas com estoque amplo e equipe técnica. Aquários do Rio (em Praça 2, Rio de Janeiro) é a operação parceira exclusiva da Teivah.
Criador licenciado
Pessoa física ou jurídica autorizada pelo IBAMA a reproduzir e comercializar fauna silvestre. Toda fauna comercializada por criador licenciado tem NF-e com nome científico e Certificado de Origem. Pilar central da legalidade no aquarismo brasileiro.
Importador (de fauna ornamental)
Empresa autorizada a importar fauna ornamental do exterior, cumprindo legislação CITES e brasileira de fauna exótica. Toda importação requer documentação completa de origem, transporte, licenças sanitárias e ambientais.
Manutenção mensal contratual
Categoria de serviço Teivah — contrato continuado de cuidado biológico de sistema aquático instalado. Visita mensal por biólogo CRBio (não técnico genérico de loja), monitoramento documentado de parâmetros físico-químicos, relatório técnico mensal, SLA de resposta para emergências conforme pacote contratado.

Glossário em construção contínua

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